Quis-te como um condenado quer a vida.
Quis-te como um falhado quer a morte.
Quis-te mesmo antes de seres meu
e depois de te ter ainda mais forte de quis.
Quis-te por aquilo que nunca foste.
Quis-te nas mentiras
e quiste tanto que mostrei-o nas despedidas.
De ti e do teu amor nada espero,
mas a minha vida sinto-a perdida,
porque mais do que te quis ainda te quero
mesmo depois de desiludida.
Quero-te como um condenado quer a vida!
Eu não acho que isto esteja mal, o que é muito pouco usual, mas enfim.
ResponderEliminarComo sou um bocado "vidrado" da esquematização rimática, e mais ainda no "ritmo" do poema eu faria uma pequena alteração (se é que se pode sugerir "pequenas alterações" a algo tão pessoal como um poema).
No quarto verso (que atentando nas maiusculas pode ser um terceiro verso muito grande= em vez de "e depois de te ter ainda mais forte de quis" eu faria "e depois de te ter quis-te de forma mais forte" creio que não altera o significado, mantens a repetição do vocábulo "quiste" e rimas "forte" com "morte", dando mais ritmo ao poema e enriquecendo-o com recursos expressivos.
E como coscuvelhei a tua privacidade, aqui ficam uns esforçados e humildes versos do "your´s trulty": (o blogspot devia pôr a opção itálico nos comentários)
Cessa o meu desgaste
De tentar fazer de ti, prolongamento meu.
De usar-te como ferramenta onírica.
Foi tão cuidada a minha retórica,
Que não te apercebeste, ou nem tem lembraste
Que o que enlevava os dois não era uma ária de Orfeu.
Mas sim maquinismos, duma técnica de paixão empírica.
Cessa a acção/reacção marasmódica
E tudo o que com ela vem,
Porque a minha malícia ficou aquém,
Das minhas expectativas luxuriosas,
Dos teus caprichos imediatos,
Da nossa conveniente simbiose.
Foi tão inebriante ser completado por premissas antagónicas,
Foram tão meticulosos os gestos, tão arquitectados os tratos…
É tão fulgurante esta ambígua apoteose,
Que tudo se enevoa enquanto ela decorre,
E o meu sangue desatina enquanto ela se escorre.
Pois cessa hoje todo o meu desnorte
Cessa a minha tão leda afluência
Pode estabilizar-se o fluxo da minha essência
Que está saciado o onanismo de pouco porte,
Que me conduziu à nossa adormentada incongruência.
Ricardo Agostinho Gouveia Blayer Alves